sábado, 27 de junho de 2009

Estações (verão)

O fio de suor descia lentamente por sua testa. Não agüento mais este tempo! Mesmo os vidros abertos não ajudavam muito. Estava atrasada, mas tudo bem, era uma festa mesmo. Bem, não exatamente uma festa, alguns amigos a chamaram para uma reunião. Reunião... Nunca gostou muito dessa palavra para designar algo divertido... Sempre ficava receosa de saber se tudo correria bem. Engraçado eu me preocupar com a felicidade alheia... Havia um agravante: pessoas desconhecidas – o encontro seria na casa de amigos de amigos. Não era o que se podia chamar de uma pessoa introvertida, pelo contrário, era até bastante comunicativa, mas sempre sentia certo desconforto ao saber que haveria desconhecidos e que ela teria que interagir com eles. Bem, eles podem ser legais... De novo eu preocupada com o mundo...
Quando chegou ao local, depois de se perder algumas vezes, foi recebida por uma de suas amigas. Ao entrar, foi apresentada a todos os convidados. Ótimo! Pouca gente... Parecem legais... Por que essa preocupação toda? Enturmou-se rapidamente com todos, pessoas interessantes, divertidas... Que horas são? Minha blusa está colada no corpo. Preciso de uma bebida.
Quando se deu por conta, toda a preocupação já tinha desaparecido. Era só sorrisos, a conversa fluía. Que bom que não tem nenhum chato aqui... Foi quando notou que havia pessoas que chegaram depois dela... Devo ter bebido um pouco a mais... Ou estou distraída mesmo...
– Posso te servir uma bebida? Meu Deus! Como você é lindo! Não havia notado a presença daquele homem até que foi abordada por ele.
– Claro... Tentou soar o mais natural possível. Está sufocante. Poderia chover um pouco...
– Aqui está – disse o homem, enquanto entregava um copo a ela. A maneira como ele a olhava a deixou, ao mesmo tempo, desconcertada e feliz. Ele está interessado em mim. Ficou excitada com o pensamento.
– Me desculpe se estou sendo muito direto, mas você é realmente linda. Ela sentiu o rosto queimar.
– Obrigada. Você é muito gentil. Tentou parecer casual, simpática, mas sentiu seus lábios tremerem. Não eram somente as palavras... O olhar... Parecia o olhar de alguém apaixonado, era possível sentir o quanto ele a desejava...
Começaram a conversar trivialidades, mas sempre que havia uma oportunidade ele a elogiava, ou tocava seus ombros, em pouco tempo estava segurando suas mãos e acariciando seu rosto...
Bem, eu sou uma mulher independente, ou melhor, desimpedida! Isso mesmo! Por que eu tenho que me preocupar? Olhou ao seu redor, as pessoas falavam mais alto, certamente o álcool as tornava mais eloqüentes. Assim como tornava os olhares bruxuleantes e os afetos excessivos. E o calor aumentava com o passar da tarde. As risadas e o suor ocupavam todos os cantos da casa.
Subitamente ela segurou forte a mão do homem que permanecera todo o tempo ao seu lado e o puxou para perto do seu corpo. Sentiu o bico de seus peitos ficarem rígidos. Estou louca, pareço uma adolescente. Dane-se! Levantou-se e ainda segurando a mão do homem começou a andar pela casa. Ele a seguiu sem nada dizer. Estou tonta... Achou um banheiro vazio, puxou o desconhecido para dentro, trancou a porta e começou a beijá-lo como se tivesse esperado por aquele beijo sua vida inteira. Sentia o suor se misturar aos seus fluidos em suas coxas. Sentiu que ele estava excitado. Começou a arrancar a roupa. Ele fazia o mesmo. Dane-se! Não devo satisfações a ninguém. Ajoelhou-se em frente ao homem e começou a chupá-lo avidamente. Lambia o suor que escorria da barriga, que se retesava com o toque de sua língua. O cheiro de sexo a deixava mais e mais excitada. Ele a puxou para si, colocou-a de costas e a penetrou. Como é bom! Como está quente! Ela continuava a ouvir as vozes e as risadas enquanto tentava controlar seus gemidos. Gozou como nunca havia gozado anteriormente. Ambos arfavam, exaustos pela entrega e pelo calor excessivo. Vestiram-se e tentaram se recompor para retornar à festa. Ele saiu primeiro. Esqueci de perguntar o nome dele. Bem, não vai faltar oportunidade. Saiu, constatou que todos estavam tão entretidos e bêbados, que não notaram sua ausência. Sorria por dentro. Começou a trovejar. Que bom, precisa chover um pouco... Onde estaria ele? Andou pela casa e não o achou. Entrou no corredor que levava aos quartos. Os relâmpagos formavam desenhos no céu. Ela o encontrou em um dos quartos com o telefone celular ao ouvido. O vento agora soprava forte.
– Cara, preciso te contar isso... Acabei de comer a vadia mais fácil da minha vida!
E finalmente desabou a tão esperada tempestade.

Um comentário:

Ana Carolina disse...

Eu não esperava por esse final, mas as coisas quase sempre acabam assim, né? Quando para um é a mais linda melodia, para um outro pode ser a mais fácil das brincadeiras.
O amor é um caos.